Aneurismas abdominais sintomas e cuidados

O Dr Luiz Marcelo Viarengo especialista em aneurismas abdominais explica suas causas e tratamentos para a doença.

Aneurismas abdominais matam 6,5 mil pessoas por ano no Brasil.


A doença se desenvolve lenta e silenciosamente, causando a morte de metade dos pacientes logo que a artéria se rompe Segundo o Ministério da Saúde, 6,5 mil pessoas morrem de aneurisma da aorta abdominal (AAA) no Brasil anualmente. 

Nos Estados Unidos, a doença é a terceira causa de morte súbita em homens acima de 60 anos. O problema ocorre quando a artéria aorta (um grande vaso sanguíneo que fornece sangue ao abdome, à pélvis e às pernas) dilata ou fica com uma protuberância em sua parede. 

Com o tempo, a parte dilatada e danificada torna-se progressivamente mais enfraquecida, podendo romper com a pressão sanguínea, causando hemorragia interna, choque hemorrágico e morte.

Qual a causa dos aneurismas abdominais?

A causa exata que leva ao desenvolvimento do aneurisma é desconhecida, mas existem alguns fatores de risco que estão associados a ele como ser do sexo masculino, fumante ou ex-fumante, idade superior a 50 anos, pressão arterial alta, aterosclerose, histórico familiar, colesterol elevado entre outras situações.

A doença geralmente não apresenta sintomas, pois se desenvolve lenta e silenciosamente durante os anos. "A maior parte das pessoas é diagnosticada durante exames de imagens de rotina, por outras razões", explica o cirurgião vascular Luiz Marcelo Aiello Viarengo. 

Em alguns casos, o paciente pode sentir uma massa pulsando em seu abdome. 

Quando o aneurisma da aorta não é identificado e tratado antes do rompimento, a mortalidade é muito elevada sendo que metade dos pacientes evoluem para o óbito no momento da ruptura e, entre os que conseguem chegar com vida ao hospital, metade falecem antes de serem submetidos ao tratamento cirúrgico.

Quais são os tratamentos para os aneurismas abdominais?

Se o AAA for menor que cinco centímetros, dependendo da avaliação do médico assistente, do tipo de aneurisma, presença ou não de alguns sinais de complicação e dos fatores de riscos associados, pode ser recomendado um seguimento clínico com ultrassom abdominal anual ou semestralmente para verificar se o aneurisma não está aumentando. 

Se for maior do que 5,5 cm ou se estiver crescendo rapidamente, o paciente passará por uma cirurgia. Em 3 a 5% dos casos, a cirurgia pode incorrer em infarto do miocárdio, insuficiência renal, complicações pulmonares, acidente vascular cerebral, trombose de artérias de intestino ou dos membros inferiores e paraplegia.

Por isso, Viarengo recomenda uma rigorosa avaliação cardiológica antes do procedimento eletivo. "Não é raro quando há necessidade de uma angioplastia de coronária ou cirurgia cardíaca de revascularização de miocárdio antes de tratar o aneurisma" esclarece.

A cirurgia de tratamento para o aneurisma da aorta abdominal pode ser aberta ou endovascular. Com o método endovascular, faz-se uma pequena incisão na virilha e, através da artéria femoral ou ilíaca, é introduzida uma endoprótese por dentro da aorta para isolar o segmento dilatado. O procedimento é minimamente invasivo, mas não é isento de complicações. Se tudo transcorrer dentro do esperado, o paciente pode voltar para casa em pouco tempo, mas deve fazer tomografias periódicas, pois em alguns casos o aneurisma pode continuar crescendo, com risco de se romper.

No entanto, segundo o cirurgião, "nem todos os aneurismas apresentam condições técnicas necessárias para serem tratados dessa forma". Além dos aspectos relativos ao paciente e a técnica cirúrgica, o Hospital ou Pronto Socorro precisa apresentar condições tecnológicas e materiais disponíveis imediatamente para a realização de cirurgias de alta complexidade, em caráter emergencial. 

Quem chega ao hospital ou pronto socorro com a aorta já rompida não pode aguardar e, caso não haja condição local para a realização da cirurgia endovascular, precisa passar pela cirurgia aberta. Nela, a aorta dilatada é trocada por um tubo sintético, que é integrado ao organismo. "Na cirurgia aberta eletiva, o paciente permanece na UTI por um ou dois dias e, se não houver contratempos, pode ter alta hospitalar 6 a 7 dias após a operação", explica o especialista.

Sobre o Dr. Luiz Marcelo Aiello Viarengo – CRM 73413

Doutor em Cirurgia pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, possui título de Especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Além disso, é especialista em Ecografia Vascular com Doppler pela SBACV e Colégio Brasileiro de Radiologia.

Com residência Médica em Cirurgia Geral e Cirurgia Vascular pelo HSPE- IAMSPE SP, possui também Habilitação em Cirurgia a Laser pelo Middlesex Hospital, de Londres. É membro Efetivo da SBACV (Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular), da International Society for Cardiovascular Surgery e da Assossiación Cirujanos Vasculares de Habla Hispana.

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