11 dez de 2013

Consumo exagerado pode ser uma doença

Categoria:
Mulher

A época de fim de ano é tradicionalmente conhecida também como uma das melhores para o comércio, que aproveita o Natal e Réveillon para aumentar as vendas. Os consumidores estão mais suscetíveis às compras para si mesmo, para desfilar roupas novas nas ocasiões especiais ou para presentear algum parente ou amigo. Quando o desejo e impulso de comprar é algo pontual ou esporádico, podemos considerar um hábito normal. Entretanto, quando o ato de comprar foge do controle, ou seja, a pessoas não tem a menor necessidade de adquirir determinado produto e extrapolam todos os limites de crédito possíveis, é preciso tomar cuidado. Essas são características peculiares de quem sofre de Transtorno do Comprar Compulsivo (TCC), conhecido também como oniomania, palavra de origem grega que significa "loucura de comprar". Apesar de apresentarem guarda-roupas abarrotados de roupas, muitas vezes com etiquetas, sapatos e acessórios que nunca foram usados, pessoas compulsivas por consumir precisam comprar ainda mais.

A oniomania atinge mais a população feminina do que a masculina e normalmente surge quando já há uma possibilidade de independência financeira, geralmente nos primeiros anos da vida adulta ou até mesmo no fim da adolescência. De acordo com a psicóloga que atende na Clínica Livon, de Joinville (SC), Adriana Cândido da Silva, "é comum aparecer juntamente com outros transtornos como a ansiedade, a depressão, o transtorno do uso de álcool e drogas, entre outros", explica.

A psicóloga destaca que a oniomania, quando associada a um quadro de ansiedade, deve levar em consideração três pontos: o capitalismo, a mídia e a sociedade atual. "O capitalismo incentiva e reforça o consumo por meio de alguns fatores como facilidades de compras e de empréstimos. A mídia segue a mesma lógica de incentivar o consumo, através de propagandas. Por fim, a sociedade atual está cada vez mais imediatista. Isso faz com que as pessoas tenham uma propensão maior em ficarem ansiosas e recorrerem aos vícios, dentre eles às compras, como forma de diminuir temporariamente a ansiedade. Quando o indivíduo entra nesse ciclo, é difícil de sair, pois o comportamento de comprar gera um prazer (mesmo que momentâneo) e, com isso, ocorre a diminuição da tensão psíquica causada pela ansiedade, por exemplo. Entretanto, essa estratégia apresenta como consequência uma crescente quantidade de dívidas adquiridas", relata.
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É importante salientar que normalmente a ação de comprar exerce uma função parecida com o vício, por exemplo, em cigarro, comida, drogas ou álcool, e normalmente está atrelada à diminuição da ansiedade. Contudo, o comprar compulsivo também pode estar relacionado a uma cultura familiar do "comprar em excesso", condições socioculturais, alívio de sentimentos negativos como raiva e frustração, busca de prazer, preenchimento de alguma lacuna emocional, autossabotagem, entre outros.

Tratamento:
Neste contexto, o psicólogo pode auxiliar no tratamento, por meio de sessões de psicoterapia que irá identificar qual a função e o papel que o comprar compulsivo exerce na vida daquele sujeito. Dessa maneira, o especialista indicará as estratégias mais benéficas, fazendo com que a ação de comprar não exerça mais o papel da diminuição da tensão psíquica causada pela ansiedade, por exemplo, e com isso, proporcionar uma melhora na qualidade de vida. Juntamente com a psicoterapia, a psiquiatria também pode ser indicada em alguns casos com tratamento à base de psicotrópicos.

Foto: Flickr.
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